O primeiro cão-guia na Softplan e os aprendizados que já tivemos com ele

30 08 2019

Você já trabalhou com uma pessoa portadora de uma deficiência visual? E já imaginou trabalhar no mesmo ambiente que um cão-guia?

Recentemente, alguns softplayers foram surpreendidos quando o Guido, que tem deficiência visual e trabalha como Desenvolvedor Front End na nossa Unidade de Justiça há quase 6 meses, apareceu na sede com a Coral, sua mais nova companheira. Já a sua equipe, com a ajuda do nosso Técnico em Segurança do Trabalho Deco, foi muito bem preparada para a chegada da cão-guia. Enquanto Guido passava por um treinamento para ser o condutor da Coral, seus colegas recebiam mentorias sobre como recepcionar a nova integrante de quatro patas. Normalmente, leva-se, em média, 6 meses para que o cão-guia fique em perfeita sintonia com a pessoa que o conduz. Para não dificultar esse processo, o direcionamento para a equipe sobre as restrições com o labrador nesse momento inicial de criação de vínculo entre ele e Guido foi de extrema importância.

O tratamento dado a um cão-guia, ainda mais em período de adaptação, deve ser muito diferente do tratamento dado a um cão doméstico. Interagir com ele pode afetar a função do animal. O cão que guia uma pessoa com deficiência visual precisa ter como referência a voz e as ações de seu tutor. O ideal é que os comandos e os carinhos dados ao cão-guia sejam exclusivamente do tutor, mas é claro que, se o tutor permitir, as pessoas ao redor podem afofar o peludo em momentos específicos e predeterminados. Por isso, além de preparar a equipe que está convivendo diariamente com a Coral, o pessoal do departamento de Desenvolvimento Humano e Organizacional também está iniciando uma orientação com o restante da empresa quanto aos cuidados que precisamos ter para que o cão faça o melhor trabalho possível guiando o Guido.

Guido e Coral

No total, temos 48 pessoas com deficiência na empresa. Destas, 18 são pessoas com deficiência visual, o que torna nossa organização muito inclusiva e nossa rotina muita mais rica, mas também muito desafiadora.

Essa é uma das vantagens da diversidade nas empresas: aprendemos diariamente com a experiência do outro. E, assim, temos mais oportunidades de exercer a empatia.

O Jeimyson de Oliveira Souza, Coordenador de Desenvolvimento que, inclusive, lidera o Guido na nossa Unidade de Justiça, começou a trabalhar com a gente há quase 2 meses e vem fazendo um grande esforço para integrar mais o colaborador no time. Ao chegar na Softplan e ver que um de seus liderados portava uma deficiência visual, imediatamente se perguntou “como eu, líder dessa pessoa, posso tornar a experiência dela um pouco melhor?”. Em quase 15 anos trabalhando na área de tecnologia, Guido foi a primeira pessoa com deficiência visual com quem Jeimyson trabalhou. “Eu achava que sabia muito sobre gestão, mas tive que me reinventar diante dessa situação”, disse o coordenador. Foi então que ele se colocou no lugar do Guido e utilizou todas as ferramentas de seu dia-a-dia para entender quais são as dificuldades enfrentadas por ele e como elas podem ser superadas. Só assim pôde entender realmente as necessidades do colaborador e tornar sua experiência mais próxima da experiência dos outros membros da equipe. As reuniões da equipe, hoje, são muito mais faladas e participativas, Guido é sempre bastante instigado a fazer considerações nas discussões e todos têm aprendido muito com essa inserção. Além disso, outros líderes que trabalham com pessoas portadoras de alguma deficiência estão se sentindo muito inspirados e motivados a participar dessa mudança de mentalidade.

Jeimyson também está fazendo um ótimo trabalho com a integração da Coral ao time. Toda a logística e a dinâmica da equipe sofreu alterações: Guido foi realocado para uma mesa mais próxima da porta por conta das saídas que precisa fazer com a cachorra e os outros integrantes do time estão aprendendo a conter o impulso de realizar uma ação simples em seu lugar, como, por exemplo, colocar a coleira na Coral, e dando mais espaço ao tutor para que ele aprenda a realizá-las. Os aprendizados estão acontecendo por todas as partes envolvidas.

Inclusão não é só ter pessoas com deficiência na empresa. Inclusão é respeitar as limitações dessas pessoas e ajudá-las a desenvolver novas habilidades.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas

Se você aceitar vamos utilizar cookies para melhorar sua experiência neste site. Alguns coletarão suas preferências de uso (idioma, localização, personalização), outros coletarão estatísticas. Você pode aceitar ou declinar, mas em todos os casos a Softplan encoraja você a ler o nosso Aviso de Privacidade.