Transformação além do digital

Os maiores problemas são também as maiores oportunidades para quem estiver preparado!

O mundo está se transformando numa velocidade nunca vista. Para termos uma ideia do que estamos vivenciando, enquanto o telefone levou 75 anos para atingir 50 milhões de pessoas, o  Pokémon Go levou apenas 13 dias. Já o rádio,  precisou de 38 anos e a televisão, 14. A Internet e o Iphone, respectivamente, 4 anos e 3 anos. O Instagram foi mais “rápido”:  2 anos.

Agora pasmem, o ChatGPT, solução de Inteligência Artificial Generativa da OpenAI, passou a ser usado por 100 milhões de pessoas em apenas 2 meses.

Seguindo nessa perspectiva, é fundamental entender que a mais recente revolução tecnológica — em que o mundo passou a fluir em rede de forma exponencial — é resultado da convergência das principais e modernas tecnologias, iniciando com a internet. Além disso, a capacidade de transmissão de dados da tecnologia 5G é aproximadamente 200.000 vezes maior do que a da 1G.

Essa mudança, associada à computação em nuvem e seu alto poder de processamento, permitiu que softwares fossem acessados de qualquer lugar. A ascensão da Internet das Coisas, o amplo uso de smartphones possibilitando a mobilidade e as interfaces cada vez mais amigáveis contribuíram para que a transformação digital chegasse à população de forma generalizada E, como consequência, imensas bases de dados (big data) estão sendo criadas, o que viabilizou o desenvolvimento de algoritmos que aprendem e procuram padrões nos dados, acelerando as soluções de inteligência artificial.

Diante desse cenário de facilidades, a maneira de conduzir operações nas empresas, bem como de oferecer serviços e produtos, tem passado por transformações significativas. Alterando, igualmente, o comportamento dos consumidores e da sociedade em geral. Tudo isso resulta na criação de inovações e no surgimento de novos modelos de negócios.

Como consequência, a concorrência se intensifica e vem de várias direções, impulsionando a automação de tarefas e alterações nos processos, construindo e encerrando negócios históricos rapidamente, o que nos fazem pensar como Marshall Goldsmith:

“O que nos trouxe até aqui não garante que nos levará para o futuro”. 

Inovação, colaboração e futuro

Toda empresa se comporta como qualquer organismo vivo: nasce de uma ideia e, quando encontra o mercado certo com seu produto, cresce, atinge a sua maturidade e, por diversos fatores, entra em declínio.

Um desses fatores é a concorrência, que vem de todos os lados, ofertando produtos e serviços para solucionar os mesmos problemas e atender as mesmas demandas, muitas vezes de forma mais eficiente. 

A inovação, por sua vez, numa empresa já estabelecida, pode proporcionar outras ondas de crescimento, afastando a curva da morte.

Mas, o que é a inovação?

Segundo Curtis Carlson, Presidente do SRI International (Stanford Research Institute), professor e inovador americano, em seu livro “Innovation – The Five Disciplines for Creating what Customers want”, “inovação é a entrega de um novo valor para o cliente com o modelo de negócios sustentável para a empresa”.

Ou seja, nas empresas, a inovação tem que gerar novas notas fiscais.

Inovação e o dilema das empresas estabelecidas

As empresas estabelecidas enfrentam um dilema relevante: como manter o foco no presente para obter os melhores resultados, ao mesmo tempo em que inovam para criar o futuro?

Elas já estão profundamente envolvidas no dia a dia, buscando acelerar as vendas, entregar os produtos prometidos, cuidar do sucesso e satisfação do cliente, solucionar os problemas do pós-venda, gerenciar o fluxo de caixa livre para cumprir com suas obrigações financeiras, contribuir com a carreira do seu time, entre outras responsabilidades.

Por outro lado, a inovação é essencial para o sucesso no longo prazo. As empresas que não inovam estão sujeitas a serem superadas por concorrentes que estão dispostos a assumir riscos e explorar novas formas de resolver o mesmo problema que sua empresa resolve.

Esse dilema é ainda mais desafiador para os CEOs que normalmente são avaliados e premiados com base na última linha da DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), a qual representa o lucro, pois é o que gera caixa. Em outras palavras, é o sangue que corre nas veias para manter o coração da organização pulsando.

Isso ocorre, pois, a inovação é um mundo de incertezas e, muitas vezes, demora para mexer o ponteiro dos resultados, o que também pode dificultar a aprovação de investimentos pelos executivos.

Aqui, então, surge este grande dilema: otimizar os resultados do presente ou inovar para criar o futuro?

O fato é que as duas coisas precisam ser feitas.

Regra de investimentos em inovação 70-20-10: cabeça nas estrelas, mas pés no chão

Há uma abordagem de gestão estratégica que tem sido discutida e aplicada em várias organizações ao longo dos anos, conhecida como a regra de investimentos em inovação 70-20-10.

É um modelo que sugere a alocação de recursos da seguinte forma (3 horizontes):

●   H1: 70% no core do negócio – “Abrace seu legado!”;

●   H2: 20% inovações incrementais do core;

●.   H3: 10% inovações transformacionais / disruptivas.

Esta estratégia busca equilibrar a estabilidade do negócio atual, a exploração de oportunidades próximas e a busca por inovações que podem moldar o futuro da empresa, com o objetivo de promover o crescimento sustentável e a adaptação às mudanças do mercado. Afinal, se surgir um “killer” de seu negócio, que esteja dentro de sua empresa colaborando para o crescimento ao invés de ser um concorrente.

(Imagem criada pela AI DALL.E, mostrando a importância dos primeiros passos na inovação e lembrando que inovar não é um processo linear.)

Como iniciar a jornada de inovação

A inovação só faz sentido se estiver conectada à estratégia da empresa. Então, pergunte-se: quero inovar de forma incremental no portfólio atual? Quero expandir o portfólio? Quero ir para outros segmentos do mercado?

Mas é bom sempre lembrar que a inovação é um mundo de incertezas, não é Disneylândia! Não são só post-its nas paredes, salas descoladas, cheias de puffs. Inovação é processo!

Em vista disso, faça várias apostas:

  Inovação interna: intraempreendedorismo

Implementar uma cultura de inovação interna e promover o intraempreendedorismo nas empresas tornou-se não apenas um grande desafio, mas uma necessidade inegável nos ambientes corporativos modernos. O segredo para o sucesso reside em criar um clima organizacional que favoreça a inovação em todas as áreas.

Alinhando-se a esse contexto, pesquisas recentes da McKinsey enfatizam que o verdadeiro sucesso surge quando as empresas desenvolvem modelos operacionais e culturas organizacionais que abracem a inovação em todos os níveis. Certamente aqui é onde nasce o alicerce para levar a sua empresa para o futuro.

Outro ponto é trazer os melhores conceitos e metodologias de inovação praticados nos grandes centros de empreendedorismo do mundo.

Como exemplo, cito aqui alguns livros que trazem regras de ouro de como inovar: “Lean Startup”, de Eric Rie, e “Do sonho à realização em 4 passos” (“The Four Steps to the Epiphany”), do Steve Blank.

Em “Lean Startup”, Ries se inspirou no conceito “get out of the building”, do livro de Steve Blank, que nos lembra a importância de se afastar do ambiente interno de nossas empresas e conversar com nossos clientes, pois é lá que estão as reais necessidades.

O livro de Ries também destaca a relevância de testar rapidamente hipóteses por meio do lançamento de produtos mínimos viáveis (MVPs) e aprender com o feedback dos consumidores, incentivando os empreendedores a abraçar a incerteza e buscar constantemente oportunidades de melhoria.

Leia mais sobre o tema neste post, onde falei sobre essas bibliografias.

  Foco nas empresas inovadoras e em suas lideranças

A cientista e escritora Annika Steiber analisou empresas já estabelecidas como Facebook, Google e LinkedIn em busca do segredo que as mantém como exemplos de inovação ao longo das décadas. O que elas têm em comum?

Em seu livro “The Silicon Valley Model”, Annika identificou que essas empresas buscam líderes com três habilidades essenciais:

  1. Capacidade dinâmica: conseguir atuar em diferentes posições dentro da empresa – um Diretor de Tecnologia que pode se tornar um Diretor de Pessoas, ou um CFO, por exemplo;
  2. Conexões estratégicas: capacidade de se relacionar com o ecossistema, buscando a inovação aberta;
  3. Ambidestros: atuar tanto na busca da eficiência do portfólio atual, quanto aceitar o desafio de inovar para criar o futuro.

Portanto, o mindset das lideranças é essencial para impulsionar a inovação nas empresas, motivando equipes, promovendo a criatividade e fornecendo suporte para que seu time corra riscos a fim de transformar ideias em ações bem-sucedidas.

  Conexão com ecossistema e comunidades

A participação ativa de empresas em ecossistemas e comunidades desempenha um papel crucial na promoção da inovação e na manutenção da relevância no mercado. Isso se deve a várias razões.

Primeiramente, ao se envolverem em comunidades e ecossistemas, as empresas têm acesso a um vasto reservatório de conhecimento, recursos compartilhados e melhores práticas, o que acelera o processo de inovação, proporcionando oportunidades de aprendizado contínuo.

A colaboração e o networking também são facilitados por meio dessas interações, permitindo que as companhias estabeleçam parcerias estratégicas, identifiquem oportunidades de negócios e desenvolvam soluções inovadoras.

Obter feedback valioso dos seus clientes sobre produtos e serviços é outra vantagem, pois, a interação com uma comunidade mais ampla ajuda as empresas a validar suas ideias e aprimorar suas estratégias de inovação com base nas necessidades do mercado.

      M&A: interação entre empresas estabelecidas com startups e scaleups

Acreditamos que a importância dos processos de Fusões e Aquisições (M&A) para manter as empresas inovadoras e competitivas é inegável. A sinergia criada é, sem dúvida, a via de inovação com maior probabilidade e velocidade para “mexer o ponteiro dos resultados”, tanto da grande empresa que investe em pequenas e médias companhias, quanto da que recebe o investimento.

Vários fatores contribuem para isso, incluindo:

●   A empresa estabelecida possui relacionamento comercial consolidado e carteira de clientes, facilitando a abertura de mercado para a empresa investida;

●   A complementaridade entre as empresas em termos de canais, equipe e portfólio pode gerar sinergias significativas;

●   A estabilidade financeira permite à empresa estabelecida suportar eventuais períodos de fluxo de caixa negativo da empresa investida, até que ela atinja o break-even;

●   A presença de processos definidos da empresa estabelecida pode contribuir para escalar o negócio em conjunto;

●   A pequena ou média empresa em franco crescimento apresenta rapidez e flexibilidade para alterar e melhorar o produto, além de tecnologias mais atualizadas e a aquisição de clientes a custos reduzidos.

Entretanto, é crucial escolher cuidadosamente o parceiro de M&A, buscando alinhamento de valores, visão e cultura organizacional. Essa harmonia cultural promove uma integração mais eficiente e evita conflitos que podem prejudicar a busca dos resultados esperados de ambas as empresas. Afinal, mais importante do que o “cavalo” (produto), são os “jóqueis” (empreendedores e equipes) que virão junto com um investimento ou uma aquisição.

Desse modo, o alinhamento prévio é essencial, especialmente no que diz respeito ao dia a dia após o negócio, definindo, assim, papéis, operações, processos e comunicação entre equipes, para que a transição seja tranquila.

Outro aspecto relevante é a necessidade da empresa que está sendo adquirida investigar o histórico da empresa adquirente anterior, o que inclui a análise de “track record” de integrações passadas, a avaliação da estabilidade financeira e a compreensão das estratégias e objetivos conjuntos.

Minhas crenças

Por fim, essas são minhas crenças sobre o que pode contribuir para conceber, escalar e criar um negócio de sucesso e longevo, mesmo no mundo da tecnologia da informação, onde as transformações ocorrem em uma velocidade sem precedentes, criando e extinguindo empresas de maneira efêmera.

Falo isto com base na minha experiência, a qual tive o prazer de percorrer toda essa jornada na Softplan, fundada em 1990, ao lado dos meus sócios fundadores Ilson Stabile e Carlos Augusto de Matos, passando por muitos desafios, certamente com muitos acertos, erros e aprendizados.

Nos primeiros 15 anos, a empresa dedicou-se a desenvolver e evoluir um portfólio especializado, aproveitando o mercado em fase inicial de transformação digital, onde as oportunidades eram imensas, porém com muitos desafios tecnológicos.

Após encontrarmos o “product market fit”‘ para soluções de 3 verticais de mercado (Indústria da construção, Justiça e Construção Civil), a Softplan teve um crescimento acelerado, passando por uma jornada de inovação de forma continuada, porém “tailor-made”.

A partir de 2015, percebemos um movimento incrível nesse processo, com modernas metodologias, que permitiram a criação de negócios com crescimento exponencial e redução de riscos de queima de babilônias de dinheiro, muitas vezes sem resultados.

Nesse período, a Softplan abriu-se para o mercado, estimulando sua equipe a participar ativamente em ecossistemas e eventos como “Startup Weekend” e “Hackathons”. Além disso, incentivou processos de inovação interna, lançando desafios aos times, trouxe mentorias e, dessa forma, cultivou uma cultura de inovação que se disseminou por toda a empresa, inclusive nas unidades corporativas.

Pessoalmente, mergulhei em bibliografias modernas, tive a oportunidade de fazer imersões em grandes centros de inovação do mundo, como Vale do Silício, Israel, Copenhage e outros. 

A ordem foi: “Get out of the building!” Saiam do prédio, entenda a dor do cliente, monte times multidisciplinares, faça, meça, aprenda, melhore, em processos de ciclos curtos e continuados..

Com o clima interno favorável, definimos uma estratégia de crescimento inorgânico, começando com investimentos modestos e aprendendo na prática.

Nos últimos 4 anos, concretizamos 10 M&A bem-sucedidos que, junto com o crescimento orgânico, abriram caminho para um novo ciclo acelerado e sustentável para a organização. Eu brinco dizendo que na Softplan os dinossauros e os unicórnios vivem “in love”, refletindo harmonia entre a solidez, a experiência consolidada e a inovação disruptiva.

Com mais de 10.000 clientes, 2.500 colaboradores e reconhecimentos internacionais, a Softplan destaca-se entre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Sua jornada, marcada por oportunidades e inovação constante, continua focada na criação de soluções inovadoras.

Estamos ansiosos para as futuras oportunidades, acreditando que nossa jornada está longe de terminar.

Em outro artigo, falo um pouco mais sobre a nossa história, uma jornada de inovação e especialização, sucessão dos fundadores para o atual CEO do Grupo Softplan, Eduardo Smith, governança e outros temas, que você pode acessar aqui.

E, aí, a sua empresa está preparada para encarar esses desafios e dar o próximo passo na jornada da inovação?

Moacir Marafon

Moacir Marafon

Moacir Antonio Marafon é engenheiro civil e pós-graduado em Planejamento Econômico e em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui certificado de Conselheiro de Administração pela FDC – Fundação Dom Cabral e formação em Corporate Governance: Atuação em Boards pela Nova School of Business & Economics – Lisboa - Portugal. Atua há mais de 35 anos no setor de tecnologia da informação e é um dos sócios fundadores da empresa Softplan. Atualmente ocupa a Presidência do Conselho da Softplan, a Vice-presidência de Talentos da ACATE - Associação Catarinense de Tecnologia. É membro do Conselho Municipal de Educação do município de Florianópolis/SC, do Conselho Superior da ACIF – Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, do Conselho Superior do Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina (CTC/UFSC), do Conselho Estratégico da InoversaSul (Fundação UNISUL) e do Conselho Colegiado Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC). Também é Conselheiro de Administração de outras empresas privadas investidas pela Softplan.

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